Beyoncé - que se apresenta
no Brasil em fevereiro – conquista os adolescentes sem ofender os pais.
Ela é hoje o maior nome da música pop mundial.
A revista Billboard, especializada em música pop, elegeu Beyoncé Knowles, de 28 anos, a mulher de 2009. Com mais de 25 milhões de discos vendidos em seis anos como artista-solo – aos quais se somam os 50 milhões de cópias do Destiny’s Child, grupo em que começou a carreira –, a americana é de fato um colosso do showbiz. Na lista das 100 celebridades mais poderosas do mundo (seja lá o que isso for), publicada no ano passado pela revista Forbes, ela aparece em quarto lugar, atrás da atriz Angelina Jolie, da apresentadora Oprah Winfrey – e de outra cantora, Madonna, que, aos 51 anos, ainda bate na conta bancária a concorrente bem mais jovem. De acordo com a revista, Beyoncé tem ganhos anuais de 87 milhões de dólares, contra 110 milhões de Madonna.
Na música pop, porém, o momento conta mais do que a história – e este é o momento de Beyoncé. Seu último disco, I Am... Sasha Fierce, vendeu 2,7 milhões de cópias nos Estados Unidos, enquanto Hard Candy, o mais recente de Madonna, ficou em 1 milhão. Beyoncé – que desembarca no Brasil no início de fevereiro para shows em Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador – é a voz mais ouvida nos iPods da moçada (e também está no aparelho do presidente Barack Obama, segundo declarou o próprio). Sua balada Halo foi a música mais executada nas rádios brasileiras em 2009. Ela embolsa 20 milhões de dólares anuais emprestando o rosto e todo o resto a marcas como L’Oreal e Diamonds, perfume da grife Giorgio Armani. Mais do que a cantora do ano, Beyoncé é, até agora, a mulher do século no mundo pop.
Os shows do I Am... Tour, que os fãs brasileiros poderão ver em breve, trazem aquele gigantismo característico das grandes estrelas da música americana: duas horas e meia de duração, com muita coreografia, telões e efeitos especiais – em certo momento, a cantora voa sobre a plateia, suspensa por cabos. O repertório alterna baladas chorosas como Halo com canções dançantes que misturam as batidas do hip-hop à soul music das décadas de 60 e 70. Beyoncé equilibra esses elementos com mais energia e carisma do que concorrentes como Rihanna ou Alicia Keys. Seus singles são o padrão-ouro do pop: fazem download instantâneo na cabeça de quem os ouve. Mesmo quando tratam de ciúme e desilusão amorosa, as canções de Beyoncé dão voz a personagens femininas poderosas, como a tal Sasha Fierce (o sobrenome, em inglês, quer dizer feroz, bravia) que dá título a seu mais recente disco. Mas ela divide as feministas. As mais radicais consideraram seu hit Single Ladies um retrocesso para a causa. Trata-se, afinal de contas, de uma mulher declarando que deseja uma aliança de casamento. Beyoncé, a propósito, é casada com o rapper Jay-Z. O maridão tem seu passado barra-pesada (já esfaqueou um desafeto), mas parece ter se aprumado.
Com seu ritmo fácil e repetitivo, Single Ladies até virou hit entre os bebês. O vídeo de um menino de fralda dançando em frente a uma TV que exibe o clipe da canção já foi visto mais de 7 milhões de vezes no YouTube. O pai do garoto até criou um site, a fim de arrecadar dinheiro para a futura educação universitária do pequeno dançarino. Esse apelo infantil, porém, é acidental: Beyoncé, com suas formas exuberantes (há especulações sobre implantes nos seios), é a estrela mais sexy da música atual. Com tendência a engordar, ela às vezes recorre a esquisitas dietas líquidas para vencer a balança. Também tem uma discretíssima celulite. Homens de verdade não fazem a mínima ideia do que seja celulite. Mas sabem que Beyoncé tem poder.